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Quinta-feira, 14 de Maio 2026
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Entre Barreiras e Possibilidades: A luta diária pela acessibilidade em Rondônia

Histórias reais revelam falhas no sistema público, dificuldades de mobilidade e a urgência de inclusão no Brasil

Entre Barreiras e Possibilidades: A luta diária pela acessibilidade em Rondônia
Márcia Cristina Mendes Ribeiro
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A acessibilidade ainda está longe de ser uma realidade plena em Rondônia e no Brasil. Apesar das leis que garantem direitos às pessoas com deficiência, milhares de cidadãos continuam enfrentando obstáculos diários nas ruas, escolas, hospitais, transportes e até no acesso à informação. Rampas inexistentes, calçadas destruídas, ônibus sem manutenção e demora no atendimento público fazem parte de uma rotina marcada pela resistência e superação.

Segundo dados do IBGE, Rondônia possui cerca de 215 mil pessoas com deficiência, o equivalente a mais de 12% da população do estado. Mesmo assim, boa parte das cidades ainda não possui estrutura adequada para garantir autonomia e dignidade.

A reportagem “Entre Barreiras e Possibilidades”, produzida pela jornalista Cris Ribeiro, traz relatos emocionantes de pessoas que convivem diariamente com a falta de inclusão.

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Uma realidade vivida na pele

A própria autora da reportagem passou a enxergar o problema de perto após sofrer um grave acidente de moto em 2021. Durante dois anos utilizando cadeira de rodas, ela percebeu como a cidade não está preparada para atender pessoas com mobilidade reduzida.

A ausência de rampas, calçadas irregulares e o despreparo no atendimento mostraram que a acessibilidade ainda é tratada como privilégio, e não como um direito garantido por lei.

“Cada barreira física transmitia uma mensagem silenciosa: aquele espaço não havia sido feito para mim”, relata.

A história de Ayla

Outro caso marcante é o da pequena Ayla, nascida em 2022 após um parto de emergência. Ainda bebê, a família percebeu alterações na visão e iniciou uma longa busca por diagnóstico e tratamento.

O processo foi marcado por negativas do plano de saúde, demora no SUS e altos custos com especialistas e exames. Segundo a avó da criança, os gastos ultrapassaram R$ 20 mil.

Hoje, Ayla vive com deficiência visual severa e depende do esforço da família para continuar recebendo acompanhamento médico adequado.

Saúde pública e abandono

A reportagem também apresenta a situação de Raimundo da Cruz, de 67 anos, diagnosticado com Síndrome de Guillain-Barré. Após sentir fortes dores e perder os movimentos, ele enfrentou demora no atendimento público e dificuldades para conseguir tratamento pelo SUS.

Mesmo com exames particulares comprovando a doença, a família relata que houve resistência no atendimento hospitalar. Atualmente, os filhos se dividem entre trabalho e cuidados diários, enquanto buscam ajuda financeira para manter medicamentos e fisioterapia.

Calçadas e transporte seguem entre os maiores problemas

Em Porto Velho, mais de 70% das calçadas apresentam irregularidades, segundo dados citados na reportagem. Buracos, ausência de rampas, falta de piso tátil e obstáculos dificultam a locomoção de cadeirantes, idosos e pessoas com deficiência visual.

O transporte coletivo também enfrenta críticas. Embora parte da frota seja adaptada, usuários relatam elevadores quebrados, falta de manutenção e motoristas despreparados.

Especialistas defendem planejamento e fiscalização

A arquiteta e urbanista Leina Tavares, da Secretaria Municipal de Trânsito, destaca que muitos problemas poderiam ser evitados com aplicação correta da NBR 9050, norma nacional que estabelece padrões de acessibilidade.

Entre as soluções apontadas estão:

* Instalação correta de rampas;
* Piso tátil;
* Nivelamento de calçadas;
* Melhor sinalização visual e sonora;
* Remoção de obstáculos urbanos;
* Adequação de espaços públicos e privados.

Já a gerente de acessibilidade da SEMTRAN, Gabriela Maria, afirma que as denúncias sobre calçadas irregulares e uso indevido de vagas especiais são constantes em Porto Velho.

Muito além das rampas

A acessibilidade não se resume apenas à estrutura física. Ela também envolve comunicação, inclusão digital, educação adaptada, respeito e atendimento humanizado.

Especialistas reforçam que o maior desafio ainda é a chamada acessibilidade atitudinal — combater o preconceito, o capacitismo e a falta de empatia da sociedade.

Enquanto isso, milhares de pessoas continuam vivendo entre barreiras e possibilidades, lutando diariamente para conquistar algo que deveria ser básico: o direito de existir com dignidade.

FONTE/CRÉDITOS: Márcia Cristina Mendes Ribeiro
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