Meses após a morte do médico Edmir de Barros Moutinho, em setembro de 2023, suas três filhas — Daniele, Denise e Débora — fizeram uma descoberta que emocionou a família. Ao vasculharem o computador do pai, encontraram uma “mensagem final”, um documento repleto de conselhos, receitas, reflexões e músicas, escritos especialmente para elas.
O arquivo, redigido há mais de oito anos, foi criado durante um período delicado da vida de Edmir, quando enfrentava sérios problemas de saúde. Segundo as filhas, o conteúdo representa um verdadeiro legado — um elo entre o passado e o presente, que mantém viva a presença e os ensinamentos do pai.
Logo nas primeiras linhas, Edmir escreveu:
“É quase certo que ao lerem esta mensagem eu já não esteja mais aqui. Espero e confio estar nos braços de Jesus, gozando as delícias do Paraíso. Gostaria de deixar alguma coisa para vocês, que pudesse orientá-las e lembrá-las deste pai que sempre as amou acima de tudo.”
Entre os conselhos deixados, o médico destacou a importância da união familiar, pedindo que as filhas se mantivessem amigas, solidárias e dispostas ao perdão.
“Irmãs não brigam: se amam e se ajudam. Se apoiam, se compreendem, se aceitam. E se perdoam.”
Para Débora, a filha mais nova, o texto é uma forma de reencontrar o pai todas as vezes que o lê:
“É como se eu o ouvisse de novo. Essa mensagem é como um abraço que o tempo não apaga.”
Já Daniele, a primogênita, recorda os aprendizados deixados por Edmir:
“Aprendi que fé e inteligência andam juntas, e que o amor verdadeiro não morre. Em breve, nos veremos no céu.”
E Denise, a filha do meio, resume o sentimento com emoção:
“Ele foi e sempre será meu herói, meu amigo, meu porto seguro.”
Além das mensagens, Edmir deixou receitas de família, como arroz piamontese, peixe gratinado ao molho de maracujá e tomates recheados — pratos que guardam lembranças afetivas de momentos felizes.
Cada filha também recebeu um pen drive com as músicas preferidas do pai e um bilhete que dizia:
“Ao ouvi-las, vocês estarão vivendo comigo algum momento da minha existência.”
O gesto, simples e profundo, tornou-se uma forma eterna de amor, mostrando que a presença de um pai vai muito além da vida.