A crise na saúde pública de Porto Velho voltou ao centro das discussões na Câmara Municipal. Durante sessão, o vereador Marcos Combate (AGIR) fez um pronunciamento duro ao denunciar o colapso nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), relatando superlotação, longas esperas e déficit de profissionais. Segundo ele, mesmo após o decreto de emergência publicado no fim de fevereiro, a Secretaria Municipal de Saúde não adotou medidas eficientes para aliviar o cenário.
De acordo com Combate, a UPA Sul enfrenta tempos de espera que chegam a seis ou sete horas. Ele atribui o problema à escala médica insuficiente, que não acompanha o volume da procura diária.
“Na UPA Sul são quatro ou cinco médicos. Três vão para a sala vermelha quando surgem casos graves, e restam apenas dois para atender mais de 300 pessoas. Isso é justo com a população de Porto Velho?”, questionou.
Além da falta de profissionais, o vereador citou deficiências estruturais. Ele destacou que o posto José Adelino estaria há mais de um mês sem ar-condicionado na recepção, prejudicando a triagem dos pacientes. Também criticou o prédio alugado na Zona Leste, considerado pequeno e incompatível com a demanda, o que acaba sobrecarregando outras unidades, como a UPA Sul e o pronto-atendimento Ana Adelaide.
Combate ainda cobrou contratações emergenciais e afirmou que há profissionais há mais de 15 dias sem receber. Ele acusou o secretário municipal de Saúde de estar mais focado em sua possível candidatura eleitoral do que na gestão da pasta, classificando sua atuação como uma “gestão TikTok”.
Durante o discurso, o vereador Macário Barros (UB) pediu a palavra e concordou com parte das críticas. Para ele, os problemas da saúde em Porto Velho se arrastam há décadas e não podem ser resolvidos em curto prazo. Macário defendeu o fortalecimento da Atenção Básica para diminuir a pressão sobre as UPAs e sugeriu que o município adote modelos de pagamento por produtividade para melhorar o ritmo e a qualidade do atendimento.
Ele lembrou que o secretário de Saúde depende de outras secretarias, como Administração e Planejamento, para efetivar contratações e organizar equipes. Também ressaltou a necessidade de ampliar o quadro de trabalhadores, especialmente agentes comunitários de saúde.
As discussões acontecem em meio a denúncias de atrasos nos pagamentos de médicos, contratos considerados ineficientes e aumento da procura por atendimento, especialmente às sextas-feiras, domingos e segundas-feiras, quando as filas se tornam ainda maiores.
Entre as prioridades apontadas pelos parlamentares estão o fortalecimento da Atenção Básica, regularização dos pagamentos, contratações emergenciais ou concurso público, revisão de contratos terceirizados, melhorias estruturais e maior transparência da Semusa sobre seu planejamento e metas.
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