O pirarucu, um dos peixes mais emblemáticos da Amazônia, passou a ser considerado espécie invasora em um trecho do rio Madeira, em Porto Velho, acima da barragem de Santo Antônio. A decisão foi oficializada pelo Ibama e permite a captura e o abate do peixe sem qualquer restrição de quantidade, tamanho ou período.
Na prática, pescadores profissionais e artesanais podem capturar o pirarucu livremente nessa região — e mais: os peixes não podem ser devolvidos ao rio, sendo obrigatório o abate.
A mudança ocorre por causa de alterações ambientais no rio Madeira. Antes, a antiga Cachoeira de Santo Antônio funcionava como uma barreira natural, impedindo a expansão do pirarucu para determinadas áreas. Com o desaparecimento dessas corredeiras, o peixe conseguiu avançar para novos trechos do rio.
O problema é que o pirarucu é um predador de topo, ou seja, está no nível mais alto da cadeia alimentar e não possui predadores naturais. Isso faz com que sua presença em áreas onde antes não existia provoque impacto direto nas outras espécies, reduzindo populações e alterando o equilíbrio do ecossistema.
Segundo especialistas, o risco não está no peixe em si, mas nas mudanças no ambiente que permitiram sua expansão descontrolada. Por isso, o controle da espécie passou a ser necessário para evitar danos maiores à biodiversidade local.
A nova norma também determina que:
- O peixe capturado deve ser obrigatoriamente abatido
- A comercialização só pode ocorrer dentro do estado de origem
- O transporte para outros estados é proibido
- O pescado pode ser destinado a programas sociais, como merenda escolar e hospitais
A decisão abre espaço para ações de controle mais rigorosas e até políticas públicas de aproveitamento do peixe, transformando um problema ambiental em possível fonte de alimento para a população.
Comentários: